“Estrada da pacificação”: a experiência da classe trabalhadora na construção da Transamazônica
DOI:
https://doi.org/10.38047/rct.v17.FC.2025.dd14.p.1.30Palavras-chave:
Amazônia; Trabalhadores; TransamazônicaResumo
Este artigo procura refletir sobre a experiência da classe trabalhadora durante as obras de construção da rodovia Transamazônica (1970-1974). Construída durante a ditadura civil-militar brasileira, a rodovia foi apresentada pelo Estado brasileiro através do Programa de Integração Nacional (PIN) e veiculada na grande mídia como a “estrada da pacificação”, representação do “Brasil Grande” e resultou na transferência de milhares de trabalhadores de diversas regiões do país, principalmente do Nordeste, para execução da obra. O projeto prometia resolver dois problemas que o país experimentava: a tensão social no Nordeste (que se agravava com a seca de 1970) e a efetiva integração da região Norte, vista como “espaço vazio”, à lógica do capitalismo brasileiro. Após o governo Médici a obra foi abandonada e resultou em um lastro de problemas ambientais e sociais que compõem o cenário amazônico na atualidade.
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