O desenvolvimento da consciência silábica em crianças autistas pré-escolares

Autores

  • Ana Ásia Almeida de Queiroz Universidade Estadual do Ceará- UECE
  • Wilson Júnior de Araújo Carvalho Universidade Estadual do Ceará- UECE

DOI:

https://doi.org/10.29280/rappge.v8i1.12062

Palavras-chave:

Autismo, Consciência Fonológica, Pré-escola

Resumo

As pesquisas sobre como os alunos autistas aprendem a ler são incipientes, sobretudo em relação à influência da consciência fonológica nesse processo, mesmo essa sendo descrita, recorrentemente, em pesquisas a nível nacional e internacional, como forte preditora para o desenvolvimento da linguagem escrita. Nessa esteira, este estudo é um recorte da tese de doutorado da autora que visa apresentar os dados coletados em situação real de ensino sobre como se dá o desenvolvimento da consciência silábica em crianças com transtorno do espectro autista, matriculadas em duas escolas da rede privada de ensino de Fortaleza. Trata-se de uma pesquisa descritiva/explicativa, de natureza aplicada, procedimento experimental e com abordagem ao mesmo tempo qualitativa e quantitativa.  Integraram a amostra seis crianças com diagnóstico de TEA, entre 4:0 e 5:6 anos, organizadas em um único grupo experimental, que foram submetidas a um programa de ensino baseado nas tarefas de consciência fonológica. Para a coleta de dados, foi aplicado o Teste Confias para avaliar o nível de desenvolvimento da consciência fonológica, realizado antes e depois da intervenção de ensino e de modo controlado, cujos dados foram registrados e, posteriormente, analisados. Os resultados apontam: a) a existência de uma ordem gradativa de complexidade na realização de tarefas de consciência da sílaba da população estudada: síntese silábica < identificação de sílabas iniciais < segmentação silábica< identificação de rimas; e b) a mediação linguística aplicada de forma sistematizada e regular em crianças com autismo contribui para o desenvolvimento da consciência fonológica.

Biografia do Autor

Ana Ásia Almeida de Queiroz, Universidade Estadual do Ceará- UECE

Possui graduação em letras pela Universidade Estadual do Ceará (1989) e mestrado em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará (2014). Atualmente é professor mestre - Secretaria de Educação do Ceará. Tem experiência na área de Linguistica, com ênfase nos processos fonológicos na escrita, desenvolvimento da linguagem oral e aquisição da leitura e escrita, atuando principalmente nos seguintes temas: pré-escola, processos fonológicos, interação e desenvolvimento da leitura e escrita.

Wilson Júnior de Araújo Carvalho, Universidade Estadual do Ceará- UECE

Possui Graduação (Bacharelado) em Fonoaudiologia pela Universidade de Fortaleza (1992), Mestrado em Linguística e Ensino da Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Ceará (1996), Doutorado em Letras (Área de Concentração: Linguística Aplicada) pela Universidade Federal da Bahia (2003). Realizou Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (2011 a 2012). É Professor Associado da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Nesta universidade, além de lecionar no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PosLA) e no Curso de Graduação em Letras, desenvolve atividades de orientação e pesquisa sobre: a) aquisição de língua materna ou de línguas adicionais, sob condições normais ou desviantes, assim como acerca do processamento fonológico (memória fonológica, consciência fonológica etc) subjacente ao processamento da leitura/escrita (rotas e estratégias de leitura e escrita); b) as características acústico-articulatórias e fonológicas envolvidas na aquisição dos sistemas sonoros, em contextos naturais e formais de aprendizagem; c) identificação de falantes no campo da fonética forense. Foi Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada de 2006 a 2008, de 2013 a 2016 e de 2021 a 2022. Foi Coordenador do Núcleo Cultura, Cidade e Linguagem - CCLiin de 2016 a 2019. Foi Diretor de Ensino de Pós-graduação da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPGPq) de 2016 a 2020. Atualmente, exerce as seguintes funções: a) Coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa da UECE; b) Coordenador do Laboratório de Aquisição de Linguagem e Linguística Clínica (LALLC); c) Coordenador do Núcleo de Línguas Itaperi do Centro de Humanidades da UECE.

Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal. 1988. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituição/Contituição.htm. Acesso em 04/ago/2018.

BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação nacional – Edição atualizada até março de 2017. Brasília: Senado Federal. 2017. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/529732/lei_de_diretrizes_e_bases_1ed.pdf. Acesso em 07/jan/2023.

BRASIL. Ministério da Educação. BNCC- Base Nacional Comum Curricular. Brasília, MEC, 2018. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/>. Acesso em: 21/ago/2021.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação. PNEE: Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida/ Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação – Brasília; MEC. SEMESP. 2020.http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivo/pdf/politica.pdf. Acesso em 21/ago/2021.

BRASIL. Agência Câmara Notícias. Educação, cultura e esportes. Projeto dá prioridade para matrículas de crianças com deficiência em escolas públicas. 2022. Disponível em:https://www.camara.leg.br/noticias/844913-projeto-da-prioridade-para-matriculas-de-criancas-com-deficiencia-em-escolas-publicas acesso em 06/out/22.

CARDOSO-MARTINS, C. A consciência fonológica é fundamental para a alfabetização? Letra A: jornal do alfabetizador. Belo Horizonte, n. 9, mar-abr/ 2007. Disponível em: www.ceale.fae.ufmg.br/files/uploads/JLA/2007_JLA09.pdf. Acesso em 20/nov./2022.

CARDOSO-MARTINS, C.A.; DUARTE, G.A. Significado e propriedades fonológicas da fala em pré-escolares: alguns resultados discrepantes. Educação em Revista. N.18/19. Belo Horizonte. Dez.1993. disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-46981993000200007. Acesso em: 20/mar./2023.

CARVALHO, W. J. de A. Consciência fonológica: da sensibilidade à consciência plena. Estudos (UFBA), v.44, p. 117 – 151, 2011.

FREITAS, Gabriela. Sobre a consciência fonológica. In: LAMPRECHT, R.R. Aquisição fonológica do português: perfil de desenvolvimento e subsídios para terapia. Porto Alegre: ArtMed, 2004.

GERHARDT, Tatiana.; SILVEIRA, Denise. (orgs). Métodos de Pesquisa. Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFRGS. Curso de Graduação Tecnológica – Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural da SEAD/UFRGS. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.

MOOJEN, Sônia. (Coord.). CONFIAS: Consciência Fonológica: instrumento de avaliação sequencial. 4ª edição, São Paulo: Casa do Psicólogo, 2016.

ORRÚ, Silvia. Autismo, linguagem e educação: interação social no cotidiano escolar. 3ª edição. Cap. 2, p. 43-49. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2012.

POERSCH. J. M. Implicações da consciência linguística no processo ensino/aprendizagem da linguagem. Revista da faculdade de letras. Universidade do Porto,1998. p. 513-516. Disponível em: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/8480.pdf. Acesso em 12/abr/2021.

SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. 1ª edição. São Paulo. Contexto, 2017.

Publicado

2023-10-01

Como Citar

Almeida de Queiroz, A. Ásia ., & Júnior de Araújo Carvalho, W. . (2023). O desenvolvimento da consciência silábica em crianças autistas pré-escolares. Revista Amazônida: Revista Do Programa De Pós-Graduação Em Educação Da Universidade Federal Do Amazonas, 8(1). https://doi.org/10.29280/rappge.v8i1.12062