Mulher negra na arena pornô-erótica do pós-abolição carioca:

embates entre o feminino gentrificado do Rio Nu e o feminino vivificante de Gilka Machado

  • Marina Vieira de Carvalho Universidade Federal do Acre

Resumo

Essa pesquisa analisa o imaginário pornô-erótico sobre a mulher negra no pós-abolição carioca. Nessa ordem discursivase confrontaram o que chamamos de “potências pornô-eróticas masculinas” – o periódico Rio Nu(1898-1916)– e “potências pornô-eróticas femininas” – a poesia de Gilka Machado. Tais produções, recorrendo a diferenciadossignificados para as performances de gênero - interseccionados por questões de classe e raça - criaram diferentes tipos ficcionais de mulher na disputa pela construção de uma sensibilidade erótica moderna. A irrupção da poesia erótica de Gilka Machado – mulher, afrodescendente e socioeconomicamente vulnerável -, transgrediu a própria tradição pornô-erótica ao alterar a condição feminina - de objeto para sujeito; bem como ao possibilitar outras representações para mulheres negras e pobresna alvorada da modernidade carioca.

Publicado
2020-05-08
Como Citar
Carvalho, M. V. de. (2020). Mulher negra na arena pornô-erótica do pós-abolição carioca:: embates entre o feminino gentrificado do Rio Nu e o feminino vivificante de Gilka Machado. Canoa Do Tempo, 11(2), 177-208. https://doi.org/10.38047/rct.v11i2.6655