A CONTRIBUIÇÃO DA BIOGEOGRAFIA NA FORMAÇÃO DO GEÓGRAFO: OS DESAFIOS DE ENSINAR E APRENDER GEOGRAFIA FÍSICA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

  • Cléverton de Rezende Santos
  • Márcia Eliane Silva Carvalho
Palavras-chave: Biogeografia – Monitoria – Educação Ambiental

Resumo

A biogeografia é um ramo da Geografia Física que estuda a distribuição dos seres vivos na superfícieterrestre, as causas que a condicionam, tendo seus pressupostos teórico e metodológicos fortementebaseados na interdisciplinaridade. Dada a estas características tem sido um dos ramos da Geografiaque tem contribuído bastante no entendimento dos atuais processos de degradação da natureza. Aomesmo tempo, os estudos biogeográficos podem (e devem) estar comprometidoscom o entendimentoda relação sociedade/natureza, visando fornecer elementos para um uso racional dos bens naturais epara um repensar da situação socioambiental atual. Diante destes fatos, as ações voltadas para a práxisda Educação Ambiental encontram respaldo neste ramo da ciência. Por não ser considerada disciplina,a Educação Ambiental deve estar entremeada nas diversas áreas do conhecimento seja no nívelfundamental, médio ou superior. Neste sentido, este artigo tem como objetivo apresentar a experiênciavivenciada no semestre letivo de 2011.2 na monitoria em biogeografia no curso de Geografia doCampus Prof. Alberto Carvalho, em Itabaiana, agreste sergipano, caracterizando sua importância paraa geografia física e para a prática da educação ambiental na formação do geógrafo. Para tal, foramrealizadas leituras de cunho biogeográfico e sobre o ensino deste ramo da geografia física, suaimportância em nosso dia-a-dia e para formação do cidadão. Em um segundo momento, foramrealizadas pesquisas em fontes primárias e secundárias visando o levantamento de dados acerca dosestudos biogeográficos no estado de Sergipe, bem como foram organizados de grupos de estudos comos demais graduandos do referido curso. Dentre outras atividades, no transcorrer da disciplina foirealizado um trabalho de campo visando analisar uma unidade de conservação ambiental no referidoEstado. Pode-se constatar que, além de contribuir com o estudo da distribuição e organização dos seresvivos no tempo e no espaço sergipano, esta ciência também contribuiu para compreender asintervenções antrópicas no ambiente, sendo possível estabelecer pontes com a importância doestabelecimento e manutenção de unidades de conservação ambiental. Destaca-se aqui a importânciada atividade de campo e do papel que a mesma pode contribuir no tocante ao desenvolvimento daprática da educação ambiental no curso de geografia. O campo teve como objetivo, além de conheceruma unidade de conservação “Refúgio da Vida Silvestre – Mata do Junco/Capela/SE”, buscarconscientizar o graduando da importância da prática da educação ambiental in lócus, pois o que évivenciado poderá sensibilizar muito mais do que o simples discurso. Buscou-se associar aimportância da conservação ambiental, do conhecimento das riquezas da Mata Atlântica aindaexistente nesta localidade, as dificuldades, contradições e vitórias da luta pela manutenção deresquícios de mata primária e de importantes fontes hídricas, com o entendimento da produçãodesigual do espaço. Em suma, a biogeografia e a práxis da Educação Ambiental devem secomplementar na formação do geógrafo, experiência vivenciada pelo monitor da disciplina e pelos graduandos que participaram da mesma. As atividades desenvolvidas possibilitaram um fazergeográfico comprometido com a produção do conhecimento, fazendo com que a Geografia Físicacontribuía para a formação de um geógrafo que não dissocie o físico do humano e que repensem asatuais (e, contraditoriamente, arcaicas) relações entre sociedade e natureza.
Publicado
2012-11-16
Como Citar
Rezende Santos, C. de, & Silva Carvalho, M. E. (2012). A CONTRIBUIÇÃO DA BIOGEOGRAFIA NA FORMAÇÃO DO GEÓGRAFO: OS DESAFIOS DE ENSINAR E APRENDER GEOGRAFIA FÍSICA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL. REVISTA GEONORTE, 3(6), 1 - 11. Recuperado de https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/revista-geonorte/article/view/1919