CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DISCENTE NO ENSINO MÉDIO EM CONTEXTO GLOBAL
DOI:
https://doi.org/10.29280/rappge.v11i1.19089Palavras-chave:
Identidade Discente, Ensino Médio, Organismos Internacionais, NeoliberalismoResumo
Este estudo analisa o discurso da proposta de formação da identidade discente no ensino médio do século XXI, voltado aos países da periferia capitalista, a partir da agenda educacional dos organismos internacionais. Trata-se de uma investigação qualitativa de cunho documental e bibliográfico, cujo corpus inclui a Declaração Mundial sobre Educação para Todos (1990) e o Relatório Delors (1996). A pesquisa adota o referencial teórico-metodológico pós-estruturalista e a abordagem do Ciclo de Políticas, concentrando-se no contexto de influência das políticas educacionais, como base nas contribuições dos seguintes autores: Peters (2000), Ball (2005, 2010, 2011, 2014, 2018), Mainardes (2006), Lopes e Macedo (2011), Dias e López (2006), Paraíso (2012), Stuart Hall (2006), Silva (2016) e outros afins. Os resultados indicam que a proposta de formação da identidade discente se configura em torno dos discursos de flexibilidade, empregabilidade e empreendedorismo, mediada por processos de regulação e comodificação, que produzem sujeitos performáticos, competitivos e voltados à autogestão. Nesse cenário, valores como tolerância e convivência pacífica são mensurados e utilizados para disciplinar a subjetividade em consonância com a racionalidade neoliberal.
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