O CAMINHO DO HAIKAI NO E DO RIO DE JANEIRO: OBSERVAÇÕES SOBRE A PRÁTICA DO NÚCLEO DE HAIKAI DO INSTITUTO CULTURAL BRASIL-JAPÃO

  • Mateus Martins Nascimento, Me. Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade Federal Fluminense (UFF)
  • Pedro Paulo Ribeiro dos Santos Universidade de São Paulo (USP)
Palavras-chave: haikai; cultura japonesa; discurso nikkei; pertencimento; antropologia

Resumo

Valendo-se de uma inquietação quanto a potência simbólica do discurso nikkei sobre cultura japonesa, este texto interpreta a prática do haikai no Rio de Janeiro através da observação participante no Núcleo de Haikai/Haikai do Instituto Cultural Brasil-Japão. Quais seriam os elementos que substanciam essa prática? Quem são os autores lidos? São algumas de nossas questões desenvolvidas para defender, com apoio da proposta teórico-metodológica da antropologia de Clifford Geertz (a descrição densa), o papel do haikai na configuração de uma condição de duplo exotismo: o haikai como objeto e a própria prática haicaísta majoritária de não-descendentes no cenário carioca, é decisiva para uma reavaliação da discursividade nikkei sobre a cultura japonesa neste estado.

Biografia do Autor

Mateus Martins Nascimento, Me., Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Mateus Nascimento, atualmente, é mestrando do programa de pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH-UFF) e graduado em História pela mesma universidade (2017). Também é idealizador e pesquisador efetivo do Centro de Estudos Asiáticos (CEA-UFF), pesquisador associado do Núcleo de Estudos Tempo Literário do Instituto Cultural Brasil-Japão e do MidiÁsia/UFF, Grupo de pesquisa em mídia e cultura asiática contemporânea. Membro da Red Iberoamericana de Investigadores en Anime y Manga (RIIAM) e da Academia Nipo-Brasileira de Estudos de Literatura Japonesa (atuando como vice-coordenador no triênio 2019-2021). Dentre seus interesses de pesquisa se encontram, a história moderna e contemporânea do Japão (sobretudo o estado Meiji e sua retórica política-institucional), as presenças e permanências do pop japonês na juventude brasileira (imaginários, representações e construções de sentido), as relações Brasil-Japão a partir dos espaços de sociabilidade nipo-brasileiros, e o interesse no estudo da literatura japonesa, sobretudo, a poesia haikai e as obras contemporânea. Estes temas se atrelam a preocupação maior do pesquisador sobre o campo dos estudos asiáticos (asian studies) na cena brasileira. Organizou o I Simpósio de Estudos Asiáticos da UFF (2017). Atua como colaborador da Biblioteca Parque de Niterói (setor de programação educativa).

Pedro Paulo Ribeiro dos Santos, Universidade de São Paulo (USP)

Graduando em Letras-Português/Japonês pela Universidade de São Paulo (USP), São Paulo

Referências

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Publicado
2019-11-13