Entre fios de tucum e traçados de arumã
Silêncio, memória, trabalho e cotidiano das mulheres Tikuna do Alto Solimões
DOI:
https://doi.org/10.29327/233099.13.1-1Palavras-chave:
Etnologia Indígena, Trabalho, Mulheres Tikuna, Alto SolimõesResumo
Este artigo discute a problemática da ausência das mulheres indígenas nas fontes documentais e nos estudos etnológicos a partir do caso Tikuna do Alto Solimões, Amazonas. Tomamos como referência os viajantes, os naturalistas e os cientistas dos séculos XVIII e XIX, além dos principais estudos etnológicos sobre esse povo no século XX para mostrar porque as mulheres Tikuna foram quase silenciadas da história e da etnologia do seu povo. Com objetivo de apresentar um contraponto a essa ausência, mostramos a participação das mulheres na organização social e política dos Tikuna através de um pequeno ensaio etnográfico da vida e do trabalho de uma mulher fictícia que confecciona e vende seu artesanato na Área Indígena Santo Antônio, no município de Benjamin Constant. Através deste ensaio, apresentamos algumas características físicas, culturais e aspectos da memória da mulher Tikuna, cujo trabalho silencioso e contínuo contribui com as lutas políticas mais amplas do seu povo, como a garantia de suas terras, da educação e da saúde diferenciada enquanto direitos constitucionais já estabelecidos.
Downloads
Referências
Amazonas em Cadernos–Os Ticunas Hoje. Francisco Jorge (org.), n0. 5, jan./dez. 1999, UFAM/Museu Amazônico, 2000.AVÉ-LALLEMANT, Robert. No Rio Amazonas-1859. Tradução: Eduardo de Lima Castra. Belo Horizonte: Itatiaia. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1980.BATES, Henry Walter. Um naturalista no rio Amazonas. Tradução: Regina Junqueira. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidadede São Paulo, 1979 (Reconquista do Brasil, v. 53).CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. Os Índios e o Mundo dos Brancos.4aed. Campinas: SP: Editora da Unicamp, 1996. (Coleção Repertórios).CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. Os Diários e suas Margens: vagens aos territórios Terena e Tükúna. Brasília: Editora da UnB, 2002, pp. 265-338.FAULHABER, Priscila. “A Festa de To’oena: relatos, performance e etnografia ticuna”. In: Amazonas em Cadernos –Os Ticunas Hoje. Francisco Jorge (Org.), n0. 5, jan./dez. 1999, UFAM/Museu Amazônico, 2000, pp. 105-117.FAULHABER, Priscila (Coord.). Magüta Arü Incü: jogos de memória –pensamento Magüta. CD-ROM. MCT/Emílio Goeldi, 2003.MARCOY, Paul. Viagem pelo Rio Amazonas.Tradução, introdução e notas de Antônio Porro. 1aed. em português. Manaus: Governo do Estado do Amazonas, Secretaria de Estado, Turismo e Desporto; Editora da Universidade do Amazonas, 2001.MAW, Henrique Lister. Narrativa de passagem do Pacifico ao Atlântico através dos Andes nas Províncias no Norte do Peru, e descendopelo Rio Amazonas até o Pará.Manaus: Associação Comercial do Amazonas/ Fundo Editorial, 1989.
NIMUENDAJU, Curt. Besuch bei den Tukuna-Indianern. Stuttgart: Ethnologischer Anzeiger, II, Heft 4, 1930, pp. 188-194.NIMUENDAJU, Curt. The Tukuna.Robert H. Lowie (Org). Tradução de William D. Hohenthal. Berkeley, Los Angeles: University of California, Publications in American Arqueology and Ethnology, 1952.OLIVEIRA FILHO, João Pacheco. ‘O Nosso Governo’: os Tikuna e o regime tutelar. São Paulo: Marco Zero; Brasília: MCT/CNPq, 1988.PERROT, Michelle. Escrever a História das Mulheres. In: PERROT, Michelle. Minha História das Mulheres.Tradução de Ângela M. C. Corrêa. São Paulo: Editora Contexto, 2007, pp. 13-39. SAMPAIO, Francisco Xavier Ribeiro de.Diário da Viagem (1774-1775). Lisboa: Typografia da Academia, 1825.SIMONIAN, Ligia T. L.. “Mulheres Enquanto Políticas: desafios, possibilidades e experiências entre as indígenas”. In: PAPERS do NAEA, n0 254, Belém: NAEA, 2009, pp. 2-34. SPIX; MARTIUS.Viagem pelo Brasil (1817-1820).Tradução: Lúcia Furquim Lahmeyer. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2017 Benedito Maciel

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Somanlu: Revista de Estudos Amazônicos faz uso de licença Creative Commons de atribuição (CC BY 4.0)


