"HAGOROMO" CONCRETO: PEÇA POEMA

  • Maria Schwertner Gomes de Almeida Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: concretismo; Haroldo de Campos; teatro nô; transcriação; Zeami.

Resumo

Considerando a relação antiga da arte poética japonesa com as artes visuais sob forma de pintura e caligrafia, e a relativa modernidade desta utilização na arte ocidental com o movimento concretista, analiso no presente artigo a aplicação executada por Haroldo de Campos do espaçamento, da diagramação, entre outros métodos da poesia concreta, como significantes na sua transcriação da peça de nô Hagoromo, de Zeami. Campos, aproveitando-se de própria experiência enquanto poeta, utilizou os métodos supracitados como compensação para os efeitos poéticos presentes na caligrafia e na escrita ideogrâmica do original; especificamente, alinhou a informação estética do espaçamento com a da caligrafia, assim como os concentrados poéticos para a tradução dos ideogramas. Utilizo como referências a teoria do próprio Campos, assim como de Darci Kusano, Paulo Warth Gick e Shuichi Kato, para apontar a semelhança entre essas estratégias visuais e sua importância cultural.

Referências

ZEAMI. Hagoromo de Zeami – O charme sutil. Tradução de Haroldo de Campos. São Paulo: Estação Liberdade, 2006.
CAMPOS, Haroldo de. O charme sutil de Hagoromo. In: ZEAMI. Hagoromo de Zeami – O charme sutil. São Paulo: Estação Liberdade, 2006, p. 13-27.
CAMPOS, Haroldo de. Da tradução como criação e como crítica. In: CAMPOS, Haroldo de. Metalinguagem & Outras Metas. São Paulo: Perspectiva, 2006, p. 31-48.
KUSANO, Darci. O que é teatro Nô. São Paulo: Brasiliense, 1988.
GICK, Paulo Warth. Panorama da literatura japonesa. In: SAWAKO, Ariyoshi. et al. O Canto da Terra. Porto Alegre: Movimento, 1994, p. 7-21.
KATO, Shuichi. Tempo e Espaço na Cultura Japonesa. São Paulo: Estação Liberdade, 2012.
Publicado
2019-11-19