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  • REVISTA DECIFRAR – V 8, Nº 16, 2020/2 – CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO SEÇÃO TEMÁTICA: JOGOS DE PODER EM LITERATURA: POLÍTICA, AUTORITARISMO, MEMÓRIA.

    2020-06-16

    O grupo de pesquisa Relações de gênero, poder e violência em literaturas de língua portuguesa, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Letras-UFAM, associado ao GEPELIP, coordena O Volume 9, Nº 16 da Revista Decifrar, intitulado Jogos de poder em literatura: política, autoritarismo, memória.

    Michel Foucault, em Microfísica do poder (2005), explicita que o poder não é “detido” por grupos ou pessoas, não se manifesta de uma única forma: ele funciona em uma rede, em que qualquer grupo ou pessoa pode exercê-lo em relação a um outro (em maior ou menor escala); quando grupos sociais tornam-se hegemônicos pela manipulação de determinada estrutura de poder, geram discursos que são naturalizados, oprimindo a disseminação de discursos oponentes ou questionadores. A relação entre os discursos hegemônicos e os transgressores ou oponentes estabelece a potencialização do poder frente ao saber. A relação poder-saber é uma forma de dominação, pois nem todos se percebem imersos em um discurso naturalizado de dominação.

    Neste ponto, busca-se o que Pierre Bourdieu (1989) fala sobre o poder simbólico, edificado em sistemas simbólicos, como a arte, a religião e a língua, entendida como instrumento de conhecimento, delineando seu caráter arbitrário e socialmente determinado. Conhecer, saber, é, pois, poder.

    Assim como o poder, a violência também pode ser simbólica: é a relação de dominação que se estabelece sem a coerção física da vítima, que não a sabe/sente como violência e entende-a como uma situação naturalizada, reforçando um poder mascarado pelas relações sociais de grupos aceitos e legitimados como hegemônicos.

    Neste sentido, deparamo-nos com as relações de gênero na sociedade patriarcal, branca, cis-heteronormativa, que normaliza um discurso de sujeição e desigualdade de mulheres, que rejeita reivindicações de grupos não-brancos, que dissemina um discurso de ódio referente à comunidade LGBTQIA+, que ignora outros saberes diferentes do que estabeleceu como normativo.

    Transpor essa ideia da violência simbólica para a violência de gênero, portanto, é pensar, conforme Cecília M. B. Sardenberg, que “qualquer agressão ou constrangimento físico, moral, psicológico, emocional, institucional, cultural ou patrimonial, que tenha por base a organização social dos sexos e que seja impetrada contra determinados indivíduos [...] devido à sua condição de sexo ou orientação sexual”(2011, disponível em http://www.ppgneim.ffch.ufba.br/violencia-simbolica-de-genero-e-lei-antibaixaria-na-bahia).

    Em tempos em que o debate sobre ideologias, sobre memória – seja histórica, seja social – traz à tona discursos de ódio, o alcance e (muitas vezes) o desserviço desses poderes legitimados revelam a incompreensão tanto sobre o tema quanto sobre o suporte.

    Abrir espaço para a discussão e esclarecimento sobre o tema, estudando as estratégias que esses suportes revelam como reflexo do campo social a que pertencem é uma das pretensões deste Dossiê da Revista Decifrar. Em vista disso, para este número, serão aceitos artigos que abordem as relações entre os jogos de poder em literatura que se estabelecem envolvendo gênero, política, autoritarismo e/ou memória.

    A revista também recebe colaborações para a seção de tema livre, onde são publicados artigos de diversas abordagens sobre a literaturas de língua portuguesa.

    Resenhas

    Há ainda espaço para resenhas de obras de ficção, poesia, crítica literária e teoria literária publicadas nos últimos 24 meses.

    Os textos devem ser submetidos até o dia 10 de outubro de 2020.

     

    Nicia Petreceli Zucolo (UFAM)

    Fadul de Moura (UNICAMP)

    Yasmin Serafim (USP)

     

    Organizadores da edição

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  • REVISTA DECIFRAR – V 8, Nº 15, 2020/1 – CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO SEÇÃO TEMÁTICA: LEITURA DE POESIA HOJE

    2019-08-04

    Ao final do Séc. XX, a leitura de poesia no Brasil se mostrava como um campo cuja complexidade apontava para uma perda de referências por longo tempo estabelecidas de que estruturalismo e sociologia da literatura são exemplos. Chegando ao Séc. XXI, outras possibilidades de interpretação das formas de ler e produzir poesia se mostram, mantendo-se a ideia de que a narrativa ocupa um lugar de prestígio cujo peso relega o leitor e a leitura de poesia a um plano modesto. Os debates sobre as formas de produção poética levam, necessariamente, a diferentes maneiras de abordá-la criticamente. Assim, a linguagem poética desdobra-se em diálogos com as artes visuais, com as artes plásticas e com as novas tecnologias. Além dessa confluência de linguagens, do campo discursivo da poesia emergem múltiplas vozes: negros, indígenas, mulheres, homossexuais, lésbicas, moradores das mais diversas periferias, entre outros, ocupam espaços de representação de que a poesia é, seguramente, uma das manifestações. Diante de tantas possibilidades, como a leitura de poesia vem se mostrando seja de um ponto de vista marcadamente crítico e acadêmico, seja no que se refere à formação de leitores (livros didáticos, debates jornalísticos, debates midiáticos, debates críticos)? Para este número de Decifrar, serão aceitos artigos que, enfatizando o plano da leitura, abordem 1) as diversas confluências entre poesia e outras linguagens artísticas; 2) as relações entre tecnologias e poesia; 3) a leitura de poesia em diferentes suportes (e-book, livro didático, plataformas diversas); 4) as estratégias para visibilidade de grupos diversos a partir da produção poética.

    A revista também recebe colaborações para a seção de tema livre, onde são publicados artigos de diversas abordagens sobre a literaturas de língua portuguesa.

    Resenhas

    Há ainda espaço para resenhas de obras de ficção, poesia, crítica literária e teoria literária publicadas nos últimos 24 meses.

    Prazo máximo para envio de submissões: 30 de abril de 2020.

     

    Gabriel Albuquerque (UFAM) e Maria de Fátima do Nascimento (UFPA)

    Responsáveis pela edição

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