GRITAR COM O CORPO, SILENCIAR COM A ESCOLA: A MATERNIDADE PRECOCE COMO DISPOSITIVO DE EVASÃO E APAGAMENTO DE ALUNAS INVISIBILIZADAS

Autores

  • Janderson Gustavo Soares de Almeida
  • Clodoaldo Matias da Silva
  • Denison Melo de Aguiar

Resumo

A pesquisa analisa como a maternidade precoce opera como dispositivo de evasão e apagamento escolar de adolescentes em contextos de vulnerabilidade social, evidenciando os mecanismos pedagógicos, institucionais e discursivos que produzem exclusões silenciosas. A investigação adota abordagem qualitativa e se fundamenta em revisão bibliográfica crítica, dialogando com estudos interseccionais, teorias dos direitos fundamentais e epistemologias da educação popular. Examina-se a atuação da escola como aparelho disciplinador que não reconhece a maternidade juvenil como experiência formativa legítima, reforçando práticas de silenciamento e responsabilização individual. O estudo mostra que, ao ignorar as especificidades das trajetórias escolares de alunas mães, o sistema educacional reforça desigualdades estruturais, naturalizando a evasão como efeito colateral aceitável. Compreende-se que a gravidez precoce, situada nas margens das políticas públicas e da cultura escolar, desestabiliza os padrões normativos de educabilidade, sendo tratada como desvio e não como sujeito de direito. A análise revela, ainda, que práticas educativas autônomas e saberes comunitários emergem como formas de resistência e reexistência dessas jovens, mesmo sob vigilância institucional. Conclui-se que a evasão escolar vinculada à maternidade precoce decorre de um projeto político-pedagógico excludente, sustentado pela negação da pluralidade dos corpos e das narrativas escolares. A pesquisa sugere que a reconstrução da justiça educacional exige o reconhecimento das experiências formativas das adolescentes mães como parte legítima do direito à educação, tensionando os limites normativos das políticas escolares e da gestão pública. O estudo contribui para o avanço crítico das discussões sobre permanência escolar, equidade e políticas educacionais emancipadoras.

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Publicado

2026-01-01