TECNOLOGIA DA ENXADA DO CABO CURTO: AGRICULTURA ESQUECIDA

  • Brígida Martins de Oliveira Singo Universidade de Licurgo, Moçambique

Resumo

Camponeses dos países em desenvolvimento nunca tiveram acesso aos meios de produção e dessa forma, a mecanização está praticamente ausente e as sementes selecionadas, os fertilizantes, os agrotóxicos não são utilizados em zonas de produção extensiva de culturas irrigadas da África. Nas regiões em que houve assimilação das revoluções agrárias (verde contemporânea), muitos camponeses, nunca puderam adquirir novos meios de produção que facilitem o trabalho e aumente a produtividade. Esses camponeses foram e são até hoje pobres e ainda sofrerem inconvenientes resultantes dessas duas revoluções. O não acompanhamento adequado dessas revoluções, fez com que milhões de camponeses continue hoje a trabalhar com pequenas ferramentas estritamente manuais, sem utilização de fertilizantes e nem produtos de tratamento. O instrumento manual não permite cultivar mais de um hectare por trabalhador, e, a produtividade não ultrapassa 1.000 kg por ano (Marcel Mazoyer & Laurence Roudart). Este problema condicionou uma agricultura muito desigual, e se medíssemos, a produtividade por trabalhador, veríamos que, em meio século, a relação entre a produtividade da agricultura praticada exclusivamente com ferramentas manuais (enxada de cabo curto...) estagnou-se e a agricultura mecanizada se acentuou, facto que bloqueou o desenvolvimento e empobreceu extremamente os camponeses. Neste contexto pode-se concluir que a maioria dos camponeses (cultivo com enxada do cabo curto) não teve acesso à mecanização. Este fenómeno, leva-nos a afirmar, que metade dos africanos, principalmente em Moçambique, muitos perderam a revolução verde e maioritariamente continuam lavrando os seus campos com ferramentas manuais (enxada do cabo curto). Consequentemente milhões de agricultores activos trabalham não somente com ferramentas estritamente manuais (enxada do cabo curto), mas ainda não usam fertilizantes, nem agrotóxicos e muito menos suplementam a alimentação dos seus animais. A África do Sul, Zimbabwe, entre outros, que não tiveram reforma agrária, os camponeses mal equipados foram destituídos de seus milhares de hectares de terra pelos farmeiros. Significa por um lado, os camponeses se dispõem de terra ainda superior àquela que cultivam com suas ferramentas simples (enxada do cabo curto), e inferior àquela que lhes seria necessária para cobrir as necessidades de autoconsumo familiar. Por outro, esse cenário, obriga-os a procurar trabalho nos farmeiros, com salários inferior a 1 dólares por dia, razão do empobrecimento extremo. O objectivo da pesquisa é análise e discussão da tecnologia a adoptar para inovar a enxada do cabo curto e orientar para enfoques contemporâneos. Neste contexto, coloca-se as seguintes questões: Que proposições metodológicas permitem reconhecer as diversidades práticas na agricultura (meio rural)? Quais são os problemas que condicionam o desenvolvimento nos actuais sistemas agrários? Que estratégia se deve adoptar para inovar a enxada do cabo curto, e facilitar o trabalho do agricultor? Como se faz a pesquisa em agricultura familiar ou desenvolvimento rural? O tipo de pesquisa é qualitativo-exploratório. O resultado esperado é a proposta de estratégias inovadoras que auxiliam o trabalho do agricultor. Como conclusão parcial, que a inovação tecnológica, não auxilie apenas o trabalho do agricultor, mas considere a possibilidade de fabricação e fornecimento local de insumos e de serviços de manutenção.

 

Palavras-chave: enxada do cabo curto, sistema de cultivo, Revolução verde e contemporânea

 

Biografia do Autor

Brígida Martins de Oliveira Singo , Universidade de Licurgo, Moçambique

Professora doutora, FCT, Department of Vocational Education, UniLicungo, Moçambique

Publicado
2021-07-01