Edição Atual

v. 12 n. 01 (2020): História Oral e Pública: escutas sensíveis em tempos desafiadores.

O dossiê “História Oral e Pública: escutas sensíveis em tempos desafiadores” apresenta aos leitores artigos de pesquisadoras e pesquisadores que trabalham e representam a produção intelectual de diferentes universidades - UFAM, UFAC, UNIFAL, UNITAU, UNIFESP, UDESC, UNESPAR, UFRN, UNESP, USP, UNIVÁS - em busca de uma “atitude historiadora”, como bem nomeou a historiadora Ana Maria Mauad[1], voltada à reflexão sobre as demandas inclusivas do tempo presente e sobre os trabalhos de memória. Os artigos trazem subsídios que altercam, a partir de diversas fontes e perspectivas teóricas, os vários sujeitos e maneiras pelas quais as memórias são disputadas e filtradas no plano individual e coletivo: pesquisadores, militantes, professoras, festeiros, migrantes, e pessoas lgbts não são apenas objetos, mas sujeitos que pensam e nos provocam a pensar sobre a importância política do fazer histórico; sobre uma ciência que não deve abrir mão de sua função sensibilizadora em tempos desumanizadores. Isso significa pensar nos processos de envolvimento do público (ativo e atuante) e na autoria compartilhada (para usar aqui a expressão de Michael Frish[2]) quanto à produção, aos sentidos e ao acesso ao conhecimento construído pelas relações entre história e memória, mais do que nos produtos advindos da pesquisa solitária, apenas para serem consumidos sem questionamento.

As discussões permitem uma avaliação compreensiva das questões subjetivas e das disputas políticas em jogo quando se trata de relações temporais que envolvem experiências passadas, presente e expectativas de futuro. Hoje, com certeza, as contribuições aqui publicadas assumem um papel essencial no combate à hegemonia das percepções de tempo “presentistas” e às práticas neoliberais, bem como demarcam uma posição de resistência às concepções revisionistas e negacionistas da história, trazendo ao público memórias e histórias de mulheres e homens não mais tratados como meros informantes ou coadjuvantes de “grandes histórias” vazias de vida.

Uma excelente leitura a todas e todos!

 

Os Organizadores,

Marta Gouveia de Oliveira Rovai*

Glauber Cícero Ferreira Biazo**

 

* Professora de História da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG). Doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Rede Brasileira de História Pública.

** Professor do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas (PPGH-UFAM). Doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP). Bolsista do Programa PPP-004/2017 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).

 

[1] MAUAD, A.M. Entrevista concedida a Ligia Conceição Santana e Hamilton Rodrigues dos Santos. Revista Perspectiva Histórica, jan/jun de 2016, n.7, p.151-155.

[2] FRISH, Michael. A Shared Authority: Essays on the Craft and Meaning of Oral and Public History. New York: State University of New York Press, 1999.

Publicado: 2020-10-08

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A revista Canoa do Tempo é uma publicação acadêmica online mantida e editada pelo Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas (PPGH-UFAM), que se dedica a divulgar resultados inéditos de pesquisas na área de História e interdisciplinar. O conselho científico conta com especialistas pertencentes a instituições reconhecidas nacional e internacionalmente.
A Canoa do Tempo é editada semestralmente e composta por trabalhos científicos sob a forma de artigos para dossiê temático, artigos livres, entrevistas e resenhas de livros, promovendo a divulgação da produção científica com ênfase nos estudos voltados para a Amazônia. Os critérios de seleção do tema de cada dossiê estão atentos aos debates historiográficos nacionais e internacionais, incentivando a construção de um diálogo profícuo entre pesquisadores das diferentes regiões brasileiras.