Percepções do movimento escola sem partido: currículos pastorais e o professor como catequista

  • Alexandre Polizel Universidade Estadual de Londrina - UEL

Resumo

Este ensaio tem por objetivo traçar considerações acerca da seguinte indagação: “Que percepções o (anti)movimento Escola sem Partido (EsP) difunde sobre os currículos e como essa percepção atravessa a formação de professores?”. Consideram-se percepções enquanto blocos de sensações organizados que refletem na atribuição de formas e funções a determinados acontecimentos. Neste sentido, as percepções são trazidas à cena para se pensar as produções curriculares, instaurando modos de saber, pensar, estar e de existir, à medida que delineiam os percursos formativos. São as percepções dos antimovimentos e dos movimentos sociais que tracionam as composições das diretrizes educacionais. Na contemporaneidade brasileira, o movimento EsP tem operado enquanto um articulador de antimovimentos conservadores, porque os agenciam a partir de suas percepções e convencimentos. Isso contribui para que ele (EsP) ganhe destaque midiático nos tracionamentos de planos educacionais, proponha edições à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, mudanças também em leis de ensino nas esferas Estadual e Municipal, bem como servir para compor um imaginário coletivo acerca das temáticas que defende. É deste cenário que se catalisa a necessidade da reflexão em torno da questão: “que percepções curriculares este movimento utiliza como substrato para colocar antimovimentos em ação?”. Assim, evidencia-se que na base do EsP deseja-se a instauração de um “currículo pastoral”, de antigestão democrática, inclinado à manutenção de um status quo da moralidade vigente via eliminação de temas contundentes. Este deslocamento leva também para outro olhar sobre a Prática Docente, a do “professor Catequista”, de modo que a sua prática seja esvaziada de crítica. Essa percepção, porém, está na contramão das propostas (inter)nacionais para práticas de formação continuada. Nesse sentido, o presente texto organizar-se-á em: a) O movimento EsP e sua insurgência; b) A perspectiva curricular do movimento EsP; e c) A negativação da prática docente.


Palavras-chave: Currículo; Educações; Prática Docente; Escola sem Partido.

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Mestrando no Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática da Universidade Estadual de Londrina. 

Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Maringá. Licenciado em Filosofia e Pedagogia pelo Centro Universitário de Araras. Membro do Grupo de Estudos Culturais das Ciências e das Educações da Universidade Estadual de Londrina.

Publicado
2019-02-15
Como Citar
POLIZEL, Alexandre. Percepções do movimento escola sem partido: currículos pastorais e o professor como catequista. Revista Amazônida: Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas, [S.l.], v. 4, n. 1, p. 01-16, fev. 2019. ISSN 2527-0141. Disponível em: <http://periodicos.ufam.edu.br/amazonida/article/view/4942>. Acesso em: 22 maio 2019. doi: https://doi.org/10.29280/rappge.v4i1.4942.