O NOTURNO NA POESIA DE CECÍLIA MEIRELES E DE ANA MARQUES GASTÃO

  • Karoline Alves Leite Universidade Federal do Amazonas - UFAM

Resumo

Neste artigo, estuda-se, por meio da análise comparada teorizada por Tânia Franco Carvalhal, e por meio da teoria do devaneio artístico formulada por Gaston Bachelard, o tratamento poético dado à composição intitulada noturno, tendo como corpora as obras Doze Noturnos da Holanda (1952), da poeta brasileira Cecília Meireles, e Nocturnos (2002), da poeta portuguesa Ana Marques Gastão. Compreende-se e aproxima-se o noturno como expressão artística poética e o noturno como arte musical – gênero composicional específico –, atrelando-os à análise comparativa dos poemas das duas obras citadas. Na obra de Cecília Meireles, os doze noturnos compõem uma unidade e a noite envolve o mundo, revelando novas emoções e novos lugares. Nos noturnos de Ana Marques Gastão, por sua vez, a noite ocupa um lugar central. É com ela que o eu lírico deseja se relacionar e através disso busca defini-la. Observa-se que para cada noturno há um tópico em que elementos temáticos são tratados individualmente. Nesse sentido, depreende-se que, tanto na poesia quanto na música, o noturno é elaborado com intenso lirismo despertado pela atmosfera noturna. O aporte teórico é constituído pelas obras A poética do espaço (2008) e A poética do devaneio (1988), de Gaston Bachelard.

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Karoline Alves Leite, nascida em 28/02/1995, graduanda do curso de Letras - Língua e Literatura Portuguesa da Universidade Federal do Amazonas - UFAM

Referências

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Publicado
2018-01-07
Como Citar
LEITE, Karoline Alves. O NOTURNO NA POESIA DE CECÍLIA MEIRELES E DE ANA MARQUES GASTÃO. Revista Decifrar, [S.l.], v. 5, n. 10, p. 104, jan. 2018. ISSN 2318-2229. Disponível em: <http://periodicos.ufam.edu.br/Decifrar/article/view/3900>. Acesso em: 21 abr. 2018. doi: https://doi.org/10.29281/rd.v5i10.3900.

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